sábado, agosto 25, 2012

Ceci n´est pas une pipe


Bebendo meu Malbec ( companheiro dos bacanais secretos), conclui: não depende da vontade. Não depende.  Cada dia mais tento me convencer dessa minha conclusão, mas não consigo. Ai essa dialética maldita. Não consigo me convencer. Porque eu sou aquele tipo  de pessoa entregue a paixões e as vontades. Aquele tipo de homo sapiens que a sociedade taxa de marginal ou despreza. < --- Essa sou eu. Mas eu não ligo, porque eu sonho e bebo vinho. 

O fato é que escrever neste momento é frágil e sedutor. Porque não há nada além dessas letras sufocadas, caladas para descrever essa minha coragem que todos taxam de egoísmo e , às vezes, até eu mesma me considero sórdida por seguir meu coração( porque eu também sou alienada em alguns momentos, ninguém foge por completo do senso comum...mas isso é outro post.). Mas... Eu deveria me orgulhar desta coragem. E sei disso. Talvez não assuma totalmente, mas a vida que eu quero demanda coragem para me assumir, mesmo que isso signifique a solidão eterna. 

Não. Eu não estou triste. Apenas me procurando no meu malbec e pensando que eu posso terminar a vida de maneira trágica. E talvez seja assim... sem superlatividade su(REAL). Porque eu sou tango e ópera na essência e eles sempre terminam em... (as reticências não completam a frase, porque não há complementos possíveis... para uma estrangeira como eu).

No fundo, eu sei... É ele (e dele) essa vontade de voltar a escrever. É o agora. Ele é a indicação possível dessa minha crise momentânea entre a escrita e o coração. Antes mesmo de começar a escrever este texto torto e corajoso...eu sabia que era pra ele. E que todos os meus textos sempre foram para ele, desde sempre. E não há nenhuma indicação prévia de que ele me espere... Nenhuma... Nem posso dizer: venha! Não posso! Não existe chegada nem partida, nunca houve. Ai como eu sou tola...de pensar que existiu isso um dia...

Ele é meu tempo verbal que se conjuga neste presente sujo, cheio de lacunas e janelas perdidas num tempo que eu não consigo mensurar, tempo este cheio de obrigações, convenções e sem futuro do presente... só pretérito. Ai...essa minha mania de ação  me matará um dia...
Já sei, não se pode escrever isso que escrevo, porque isso acaba com a possibilidade de sonho. Não quero perder mais tempo, porque se escrevo é porque sei...sei, embora não consiga explicar nestas linhas, sobre os sonhos e as vontades...

Sinto-me num quadro surreal de Magritte ou “ entre a serpente e a estrela”  e escrevo para que vocês me leiam e me compreendam, para que mentiras não existam mais,  e sim a compreensão das minhas torpes limitações. Conjugarei ad eternum este verbo: compreender. Porque ele me torna demasiadamente humana e sem lacunas...ou pausas.  Agora me resta meio litro de malbec, canções, girassóis, cafés, chocolates, beatles, tirinhas da mafaldas, notas musicais  e uma possibilidade no infinito, a qual eu teimo em esperar alcançar. 

Nota: Eu que sou tão impressionista( a personificação de Van Gogh) , rendo-me ao surrealismo depois dele. #confesso O que isso significa? Não sei...canto, nado, corro e bebo...para chegar em algum lugar perdido nessa grande janela que é o tempo.

Trilha sonora do dia - Entre a serpente e a estrela - Zé Ramalho. 


3 comentários:

Anônimo disse...

Uau...que desabafo literal, Daniela.
Como alguém pode ser tão linda como vc?
Existe ele? Quem é ele? Confesso: Morri de ciúmes.
J.P

Anônimo disse...

VC É IMPRESSIONISTA NA ALMA, LARGUE O SURREALISMO. É DE IMPRESSIONISTA QUE VC SE COMPOEM...E É ASSIM Q EU TE AMO. TE AMO SECRETAMENTE, DANIELA PAULA!
A GAROTA MAIS DOCE, CHEIA DE CHARME, MARXISTA E MALUCA QUE CONHECI NA VIDA. A GAROTA MAIS ELA...MAIS INTERESSANTE E LINDA COM SEUS CABELOS DESCABELADOS Q VI.
VC REALMENTE ME COMOVE.SE APAIXONAR POR OUTRO É COVARDIA COMIGO...ATÉ DEIXEI A BARBA CRESCER PRA VC NOTAR, MAS VC NÃO NOTA. E AI?

WiLL disse...

Sua sinceridade e sua consciência me fazem admirá-la cada vez mais. Você vive e se permite sentir todo sentimento possível, ainda que seja uma raiva de 5 minutos, ou um amor de toda a vida.
A mocinha de fita no cabelo, de verbos e seus tempos. É como se sua vida fosse um conto: mais importam as ações que as decrições, você é intensa...
só discordo de você quando diz que sua vida pode terminar de uma maneira trágica... porque toda morte é em si uma tragédia, é sempre um fim... a não ser para quem veja a morte como sublime (mas aí já é outro assunto, né?!)
Sobre o ele que nunca chega, indico essa música da Fiona Apple: Valentine - http://www.youtube.com/watch?v=uJwWnkF-LRY