sábado, junho 25, 2011

A imaginação faz a diferença na hora do aprendizado

Ontem estava pensando sobre os professores das séries iniciais. Porra! Eles são os mais importantes da vida de qualquer individuo e são os menos preparados, os mais mal remunerados e os mais desvalorizados. Estranho isso...pois um professor do ensino infantil/fundamental guia/direciona, de certa forma, o perfil do aluno e dos seus gostos dentro da escola para vida toda. #injusto com as crianças e também com os professores.

Na verdade eu pensava – em particular - na minha infância e em como meus professores destruíram minhas carreiras: astronauta, cientista, cineasta, atriz , caixa de supermercado e etc. Estes mesmo professores me afastaram da matemática, a qual hoje redescobri e a amo com tanta paixão que se essa atração ocorresse na infância tudo poderia ser melhor. É Talvez seja isso...Talvez a segregação do conhecimento seja o maior erro da Escola formal. Mais que isso; o desrespeito com a individualidade/subjetividade de cada aluno. Cada um tem uma bagagem ideológica que vem da educação informal e que também vai adquirindo no dia-a-dia com os amiguinhos, brincadeiras, músicas, livros, TV, jogos e internet.

O conhecimento não é exato. O universo não é exato. Por que na escola trata-se o ensino como exato, sendo ele uma TEIA ( interdependente de todas as áreas de conhecimento). Por que é tão difícil conceber que o conhecimento se constrói e muda diariamente?

Por isso sempre acabo voltando nas questões linguísticas. Pois a forma que se ensina a Norma Padrão exclui todas as outras formas de conhecimento, principalmente a imaginação. #triste “ A imaginação é mais importante que o conhecimento” Einstein Sei bem a importância desta máxima do cientista...sei bem...

Dentro deste contexto lembrei-me de um fato que ocorreu comigo e com a Maria Júlia (filha da Isa – minha prima e professora de francês -). Na época da campanha eleitoral para presidente. Eu tava a todo vapor na campanha da Dilma na internet. E a Maju se interessava em saber da Dilma e gostava de me ouvir falar da presidenciável. (só para constar: A Maju tinha, em setembro do ano passado, 6 anos. ) E ela pegou a mania de escrever o nome da Dilma em todas as coisas: bolsas, estojos e tudo que tava em sua frente. Porém algo começou a me chamar atenção: a forma que ela escrevia Dilma. E confesso: achei genial. Ela grafava assim: DIULMA. Sacaram? RS Olhe que garotinha mais esperta e sabida! Ela tinha dúvidas, por isso optava pelas duas formas. Essa dúvida é comum, pois no Brasil não sonorizamos o “L” como os nossos irmãos portugueses, ou seja, pela nossa fala tupiniquim –e com orgulho!- tudo parece som de u. E ela para se garantir escrevia os dois. =)

Eu fui deixando...Um certo dia ela me perguntou, qual era a grafia correta. Eu expliquei para ela que escrevíamos Dilma, apesar de falarmos Diuma. Mas a parabenizei pela alternativa criada e complementei que apesar de falarmos o “u” escreve-se o “L” porque a Dona Norma – uma senhora metida a sabidona - instituiu isso e que lá em Portugal, nossos irmãos falavam o som de “L”. Repeti para ela como os portugueses sonorizam o “ L”. A Maju me disse sabiamente que aqui não falávamos assim. Eu disse não e expliquei mais uma vez que por isso sentíamos dificuldade de escrever  com “ l” ou “u” e que isso não era vergonha nenhuma.

Ai como sou boa contadora de “ causos” e lhe contei uma história – que inventei na hora- de uma portuguesinha de 9 anos que se mudou para o Brasil. E que ficou apelidada de “L” por sonorizar a letra em tudo...Mostrei para ela que a Dona Norma – a vizinha chata – institui a grafia uniforme para a criançada da rua entender o que a portuguesinha escrevia. E que essa uniformização da escrita era importante para registro histórico, mas que o modo de falar era igualmente importante. E para minha surpresa ela me disse algo mais genial ainda: Ai! Dani, a Dona norma nem é tão chata assim, pelo menos agora eles vão se entender. Quase morri de emoção. Sacaram? Uma garotinha de 6 anos teve a perspicácia de perceber que a Norma é importante, mas não é tudo. Lindo, isso não? Eu quase choro. =)

Dentro da historinha também comparei as diferentes culturas e disse que todas mereciam respeito e que nenhuma era melhor que a outra. Claro que eu usei meus dotes de atriz para encenar a narrativa. Percebi que ela se divertia, ria e que aprendia a diferença de maneira lúdica. Caraio! É cansativo tentar auxiliar uma criança a entender o conhecimento. Dá canseira. E haja imaginação!rs  Não é fácil não, por isso é preciso muita disposição e amor.

Também acho difícil explicar para uma criança de 6 anos que u é usado no final da palavra quando ele vem sozinho e é tônico, ou que o L é usado quando a silaba final é tônica, mesmo no meio das palavras. Mas ai vem a saudade e acaba com a gente...Literalmente, não? Eita palavrinha foda...na vida e na língua. Ops, mas vida é língua. =) Por que a vida traz tantas exceções? Porque no fundo buscamos as excecoes...Tá vendo como não dá para separar língua e vida. =)

Conclui neste meu processo de aprendizado ( porque aprendi mais com ela do que ela comigo) conhecimento sistematizado da língua deve ser trabalhado sim – é importante-, mas uma criança de 6 não entenderia isso...#fato Percebi que com o conto e com outras alternativas como: leitura, filmes, músicas e outras; as questões entre a fala e a escrita começam a andar de mãos dadas e serem compreendidas no contexto social de cada pessoa. Porque ela começará entender que a sua vida é a sua língua. =)

Nota da aspirante a professora: quero abordar um fenômeno vivo na língua falada que percebo diariamente na fala das pessoas: elas não falam proparoxítonas ( inclusive os ditos cultos). Eu tinha uma baita dificuldade de entender esse negocio na escola. To preparando um post. E como hoje é “sabo” fico por aqui...
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Um comentário:

WiLL disse...

Professora Daniela:
Seu post etá perfeito: vc aborda um assunto tão importante, a educação. E o faz de uma maneira tão simples de se entender que queria voltar ao pré e ser seu aluno. O exemplo da Maju é tocante e deveria ser enviado para os professores universitários hehehe
bjokas