sábado, novembro 27, 2010

Discussão além da matemática...

Nota: O diálogo abaixo é uma mistura de realidade e ficção. Até onde começa um e termina o outro eu não sei dizer...


Oi Ri. Tudo bem?
Sim, estou melhor. E vc, Dani?
Às vezes penso que sim, outras que não. Não sei...É o peso de algo que eu não dizer o que é. Há dias q acordo com saudades, mas não sei de que e nem de quem. Assim sem complementos, numa vastidão de sensações que exigem complementos, mas não os encontro. Hoje me sinto sem nada, até sem coração.
Hum. A vida é dinâmica, pois hoje você pode ter tudo. E amanhã não ter mais nada. É uma linha tênue que divide isso, mas as pessoas não se dão conta...Disse, sem conseguir completar o pensamento, pois foi interrompido pela moça.
É verdade...O nada e o tudo são palavras que nem a semântica conseguem explicar direito. Digo, pelo menos para mim. Eu não me convenço com certas explicações. A tudo e nada delas. Olhe a contradição? Além do mais o tudo e o nada estão em paralelas.
Só que se encontram mais frequentemente que no postulado matemático. Não é no infinito que eles se encontram e a qualquer momento.
A moça soltou uma gargalhada e disse:
Exatamente...Visto que o infinito é um mar de possibilidades...Inclusive do encontro das paralelas.
É verdade. Respondeu ele. Pensativo e ansioso disse novamente:
Olha! Vou dizer que as coisas são realmente temporárias na vida, desde dinheiro a emoções.
É e mais triste q a perda financeira, são as emoções perdidas e nunca vividas. Ainda esperando serem encontradas. Acho que não conseguimos aceitar a condição de que a vida e nós somos finitos. Assim como tudo...
Então...Aceitar ou não depende de um estado anterior nosso. Gostar é a maneira de ter.
Lembrou- me de Saramago.
Pois é...Ele dizia que ter é a pior maneira de gostar. Mas...
É difícil, né? Talvez tudo seja realmente cultural. Contudo é difícil aceitar isso e toda a condição de finito.
Você gosta, você não tem. Você não gosta, você tem.
Isto tá remetendo a Ciranda de Drummond, além de Saramago...Quem sabe, o amor não correspondido seja mais interessante, pois sempre ficará a indagação do que seria se a outra pessoa nos amasse. Hum?
Não! O amor ano correspondido não é nada interessante, pois traz muito sofrimento e deixa a vida sem sabor.
Acho que eu sei o que é isso. Disse ela com os olhos marejados.
Mas, Ri! De qualquer forma com o amor não correspondido você gosta e não tem.
Vixe! Então, prefiro o amor platônico. Disse ele de forma incisiva.
Ela riu e disse:
É...mas o amor não correspondido pode ser platônico. Há essa possibilidade.
Não, porque no platônico não é informado.
Ela pensou e insistiu.
Mas, e se eu não tiver me declarado porque o objeto do meu desejo ama outra. Assim teremos o amor platônico e não correspondido na mesma condição, não.
Ele sorriu e disse:
Sim. São as intersecções dos subconjuntos, que infinitamente poderiam se encontrar.
Adorei. Daria uma bela história, mesmo porque nada é exato, nem na matemática. Ela deve é uma das mais belas ciências, queria dominar o raciocínio de um matemático, ou talvez um matemático. Ela soltou uma gargalhada. Ele riu também e disse:
Eu também, invejo esse raciocínio. Disse, o moço pensativo.
Ah! Eu adoro ler sobre a antimatéria. Hawking aperfeiçoando Einstein.
Dani, até os universos paralelos e outras dimensões são provados pelas equações. Nós podemos existir nesse exato tempo-momento-espaço em outra dimensão. Parou para pensar nisso?
Sim. E ao mesmo tempo q a equação prova...Nada é uma verdade absoluta. ..Assim como a vida.
Sempre imaginei que eramos fruto do sonho de alguém. Alguem tao especial que era capaz de sonhar tao alto assim...Disse ele com o olhar perdido no infinito.
Nossa! Disse Dani espantada com tamanha sinceridade, mesmo que fosse um devanio.
Dani, outro dia reli o estrangeiro
Eu adoro esse livro, e qual sua sensação? Reler é renascer e ter possibilidades de novos horizontes.
E a sensação q tenho é cada vez mais a mesma...Disse ele com o olhar cheio de reticências.
Ela como ansiosa que era, logo perguntou:
Qual?
A de que tanto faz.
A vida? Perguntou a moça com um pesar.
A vida, o sonho, a morte. Respondeu ele com um olhar de ressaca, como o de Capitu de Machado.
Ela sorriu amarelo. E indagou ansiosamente:
Mas o que os separa? O que os distingue?
Nada. É tudo a mesma coisa.
Estão no mesmo patamar, né? Disse ela angustiada.
Sim. E entre o ser e o não-ser há o zero, o qual não é um conjunto vazio.
Mas Ri, o zero divide a escala matemática: positivo e negativo. Agora o numero 1 é mais interessante de todos para mim. Não é primo...nem nada. Talvez seja o inicio. 

O rapaz imediatamente respondeu com veemência.
Discordo veementemente. O inicio é o zero. Ele é uma invenção dos matemáticos árabes. Os romanos não contabilizavam o zero. Não existe a notação zero em algarismo romano. O zero é a partida, de onde vem a criação: o big bang, o buraco negro e isso é do momento zero e não do momento um.
Eita! Não tinha pensando por este ângulo. Você falando assim penso que o número zero é Deus.
É a representação divina sim.
A matemática é algo perfeito mesmo. Ela tá presente na arte, na filosofia, na vida...E eu estupidamente só fui me dar conta disso agora. Sua analogia tem todo sentido.
Isto é livre associação.
Ela disse sorrindo:
Isto somos nós. O mundo...
O dois se abraçaram e continuaram a caminhar...

NOTA LINGUISTICA: Estou com preguiça de inserir os travessões dos diálogos. Minha liberdade linguistica. hahaha Viva Saramago! 

4 comentários:

WiLL disse...

É, Dani... O zero como início, de onde de parte para o 1 até o infinito. Nossa relação, nossa amizade teve um zero. Depois pulamos para a parte 1 e continuamos caminhando juntos até hj e de hj em diante. E se nosso zero tivesse sido em outro lugar q não Assis, ainda teríamos ido pro 1 e chegado a esse patamar d hj?
te amo
bjokas

Aaddrriiaannoo disse...

Nossa, que cinematográfico esse texto, imaginei 1000 coisas enquanto lia... 1000 coisas não, infinitas coisas... Tenho uma visão bem surrealista mas real dele... (coisas da minha cabeça).

Vc me parece uma grande fã das obras de Saramago, certo? Terminei essa semana de descobrir Saramago através de Ensaio Sobre A cegueira. Deslumbrante e degradante... a sociedade em seu estado mais baixo, abaixo de zero... enfim...

Sempre vi a matemática em tudo, menos em mim... sou um zero à esquerda em Matemática, meu cérebro dá nós quando tenho que fazer contas, por mais simples que sejam. Talvez minha vida seja uma questão matemática sem resposta, =X, sabe? Adoro não ter que ter um porquê! Adoro não ter que tirar a prova real de tudo que faço.

A matemática faz parte de mim, mas não faço parte dela. Bom ou ruim, tanto faz!

Obrigado pela aula, Dani!

silvioafonso disse...

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Este papo não me confundiu,
mas eu me sinto uma grande
flor com borboletas voando
ao redor.

silvioafonso.





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Carla Farinazzi disse...

Dani, com certeza vamos sentar pra tomar uma sim! E conversar muito, pois com gente inteligente como você, isso é um prazer!

Beijos, querida

Carla