quinta-feira, julho 08, 2010

Ele...o único sentimento possível...

Os meus planos para o resto da semana são sublimes e um tanto poéticos. Quero dividir meu dias entre a piscina, trabalho, computador, leituras, café, pão de queijo, Will,  chocolate, escrever, tuítar, músicas, filmes, caminhar, dançar e encontrá-lo. Quem sabe não trombo com ele nas ruas escuras e sujas, numa noite chuvosa – quase tempestade-, onde eu teria que dividir meu guarda-chuva com ele...Nós dois, um guarda-chuva e muitos segredos. Talvez, nos amaríamos na chuva. Sem limite ou pudores. 

Agora, se o encontro fosse numa tarde de sol a pino, ele derrubaria meus livros e desprotegeria meu peito – o coração estaria aberto, quase sofrendo um infarto de miocárdio-, ele me diria um boa tarde e me convidaria para um café. Depois falaríamos de literatura, cinema, política, sonhos, planos, alegrias e ele me diria que estava atrasado. Talvez, fosse só charme para eu pedir que ele ficasse mais. Acho que ele me convidaria para seu apartamento, para sua cama. Talvez.

No fundo, acho que ele queria dividir a piscina e o meu vinho barato comigo, acho tb que ele queria editar as manhãs e os planos para o futuro comigo. Mas, o futuro é incerto e não merece edições. Talvez ele me ajude a escrever um roteiro para depois ser gravado. Não! Não sei se ele teria coragem... Escrever dói. Contudo, eu sei que ele me deseja. E sei o quanto ele me quer. Mesmo, eu sendo uma boba. 

Na verdade, queria escrever divisões da vida e filmá-las. Queria compartilhar com ele todo meu desassossego. Queria escrever sobre suas calças fora de moda, sua camisa conservadora. E de como eu encontrei seu sapato... Bem nos meus pés. Estranho. Eu sou brechó e ele uma loja de grife. Queria comer um brigadeiro com ele, tomar um café, olhar para o nada e depois cair na risada. Como deve ser... E depois a descoberta dos corpos. 

 Monet
Este texto expressa um silêncio vazio. Ele fala com todos e não, diretamente, com o objeto do meu verbo, o qual sempre tá sem complemento... Sabe, acho que nunca aceitei essa condição de manifestar meus sentimentos por palavras, mesmo escrevendo muito. Talvez, porque haja uma certa liberdade entre nós que nos destrói. Ele me aceita. Ele está nu diante de mim com seus sentimentos e todos os complementos verbais do mundo para me oferecer. O rosto dele me mostrou o mundo e eu só queria que ele entendesse que o meu silêncio diz muito... E ele...É o único sentimento possível. 

TRILHA SONORA DO DIA - NO RECREIO - CÁSSIA ELLER - http://www.youtube.com/watch?v=lUBnkFKaNAg&NR=1
"...Vem me ensinar a falar, vem me ensinar a ter você. Na minha boca, agora, mora o teu nome...Meu coração é o teu lar..." Dedico a canção da minha trilha de hoje para meu amigo Tiago - @sobrecomum.

9 comentários:

Anônimo disse...

Senhorita Daniela,

Se superou nisto: "Ele está nu diante de mim com seus sentimentos e todos os complementos verbais do mundo para me oferecer. O rosto dele me mostrou o mundo e eu só queria que ele entendesse que o meu silêncio diz muito... E ele...É o único sentimento possível. "
Quanta intensidade, caramba! Lindo! Fiquei sem ar. Quem é o objeto do teu verbo? Realmente, me emocionei. Adoro teu blog.Adoro vc! bjos do Júnior

Eles me chamam de Sobrecomum disse...

Lindo o texto e ótima a escolha do Monet. O impressionismo coloca uma neblina em cima dos contornos e a paixão turva a visão feito uma catarata, que também é nome de chuva. Permitir se sentir é mais importante que ser retribuido, correspondido e compartilhado. Parabéns pelo post.

Anônimo disse...

Diletantismo, puro diletantismo, e tem idiotas que gostam de textos tão despresiveis... sao daqueles que votam em lula, ou seja, escolhem até mesmo molusco para presidente...

Girassol disse...

Obrigada pelos comentários! E claro, pelo carinho. Tiago vc é brilhante e é um fonte de inspiração p mim. O júnior sempre aqui me incentivando.
Qto ao anonimo, não identificado. Acredito q se vc tem todo direito de considerar o blog como literatura menor. Tb não acho ruim a palavra diletantismo, pois não considero ela algo negativo, na verdade ele mostra uma certa liberdade. Aqui não tenho preocupações com reflexões intelectuais profundas, isso eu deixo p os trabalhos academicos. Cada um tem o direito de pensar o que quiser, mas um pouco de coragem p se identificar e mais respeito seria bom.
bjoss

alex disse...

Oi Dani!
Maravilhoso, adorei. É sempre muito bom ler você, continue.

alex disse...

E adorei o Monet, era sobre este que estava falando dias atras, gosto muito dele.

Anônimo disse...

Lindo... Profundo...

Acho incrível essa capacidade de expressar sentimentos em palavbras, imagens, etc, etc.,..

Não é pra qualquer um... e concordo com o Junio, a frase que ele destacou é perfeita,,,

Parabens pelo texto..

bjos

@thiagobeleza

WiLL disse...

Nossa... estou entre seus planos sublimes e poéticos. Linda!
Lindo texto. Mais uma vez. Cheio de poesia, de intensidade, de amor...
Vc faz uma escrita, uma literatura tão suave, mas tão forte também.
Um silência vazio. Um silêncio que diz muito.
Sem dúvida, o trecho que o Júnior destacou é um dos melhores do texto.
Parabéns pela poesia q vc é.
bjokas

Anônimo disse...

"Agi sempre para dentro... Nunca toquei na vida... Sempre que esboçava um gesto, acabava-o em sonho, heroicamente... Uma espada pesa mais que a ideia de uma espada... Comandei grandes exércitos — venci grandes batalhas, gozei grandes derrotas — tudo dentro de mim...
Gostava de passear sozinho pelas alamedas e pelos grandes corredores e de comandar as árvores e desafiar os retratos das paredes... No grande corredor sombrio que há ao fundo do palácio passeei com a minha noiva muitas vezes... Eu nunca tive noiva real... Nunca soube como se amava... Apenas soube como se sonhava amar... Se eu gostava de usar anéis de dama nos meus dedos é que às vezes queria julgar que as minhas mãos eram de princesa e que eu era, pelo menos no gesto das minhas mãos, aquela que eu amava...
Um dia foram-me encontrar vestido de rainha... Eu estava sonhando que eu era a minha esposa régia... Gostava de ver a minha face reflectida porque podia sonhar que era a face de outra criatura — porque era de formas femininas, que era de minha amada que era a minha face reflectida... Quantas vezes a minha boca, tocou na minha boca nesse espelho!... Quantas vezes apertei uma das mãos com a outra, quantas adorei meus cabelos com a minha mão alheada para que parecesse dela ao tocar-me. Não sou eu que te estou dizendo isto... É o resto de mim que está falando." (Fernando Pessoa por Bernardo Soares) Adorei as impressões... já deve saber quem sou, então? beijão e ótimo domingo!