quarta-feira, fevereiro 22, 2012

"Incendies" e a compreensão da verdade

Imagine sua vida e tudo o que você sabe sobre ela, ou seja, o que compõe a sua história. De repente, a vida, por meio de uma tragédia, lhe traz algumas novidades e você descobre que tudo que sabia sobre você era mentira. E decide buscar a verdade, todavia percebe que há fatos que são melhores não termos conhecimento. Que, às vezes, meias verdades são como um tipo de salvação da desgraça humana, o qual todos estamos submetidos. Apesar de ser Nietzcheana e sempre estar à procura das verdades, percebi que às vezes é melhor não saber de tudo. 

O filme franco-canadense do diretor Denis Villeneuve - “ Incendies” - além de chocante, é surpreendente. O titulo do filme cai como uma luva, porque a cada cena nos sentimos incendiada pela devastação da vida de Nawal Marwan (Lubna Azabal). O fogo arde alma e no corpo.

A película é narrada por meio de intertextos e subtítulos, o que o deixa mais envolvente e ágil. A história inicia-se com o subtítulo “ Os Gemeos” e a cena inicial é a leitura do testamento da sua mãe e suas vontades póstumas . “ Todos os meus bens serão divididos entre os gêmeos Simon Marwan(Maxim Gaudette) e Jeanne Marwan(Mélissa Désormeaux-Poulin), porém a lapide só será posta no meu tumulo quando cumprir uma promessa” Nawal 

Na leitura do testamento os gêmeos descobrem que eles têm um irmão e que o pai, que ambos achavam que havia morrido, estava vivo. Dentro os pedidos do testamento há duas cartas, uma para Jeanne entregar ao pai, incumbindo-a a missão de encontrá-lo. A outra para Simon entregar o irmão. E quando os irmãos cumprirem sua missão uma carta será lhes dada, a qual explicará tudo. “ O silêncio será quebrado, uma promessa cumprida e uma lapide poderá ser colocada sobre minha sepultura” Nawal 

Após a leitura do testamento Simon decide não seguir as instruções da mãe( porém muda de idéia no decorrer da história), mas  Jeanne decide rapidamente buscar as pistas necessárias para cumprir a vontade da mãe. Nesta tarefa, encontra os indícios que vão, pouco a pouco, reconstituindo a impressionante biografia de sua mãe e as suas próprias.

Trailer do filme:  

Incendies é construído a cerca de revelações chocantes que giram em torno de uma mulher, Nawal Marwan, que teve a vida marcada por tragédias, que se iniciou com a morte do seu namorado pelo irmão e pela gravidez precoce. E depois do nascimento do filho a sua avó a obriga a oferecê-lo para adoção, uma forma de  não sujar mais o nome da família, em nome da honra. A mulher obedece à ordem, mas promete ao filho o reencontrar.  

O pano de fundo do filme é o choque cultural, a intolerância religiosa, pois na época que Nawal deixa o filho contra a vontade está estourando um conflito religioso entre cristãos de extrema-direita  e mulçumanos. O filme se passa no Canadá e no oriente médio, o qual não dá para saber ao certo o local. O diretor criou uma cidade fictícia chamada Daresh. Mas com o decorrer da história descobrir o local que se passa a história não é o mais importante.
Incendies  busca a compreensão da verdade. Mas qual? Até aquela construída no horror, no desespero, na tortura? O filme traz a tona questionamentos filosóficos sobre a verdade e sobre nós mesmos. É chocante, mas uma obra prima, a qual não deixa de ser aberta... 

La femme qui chante 

Nawal  é uma mulher corajosa. Foi presa, torturada, violentada e estuprada por ter assassinado o líder da direita-cristã, apesar de ser cristã. Uma mulher marcada pela intolerância, violência e ódio por ser mulher num mundo hostil e machista. Uma mulher que nunca, em nenhum momento da sua vida, desistiu de encontrar o filho que teve que renunciar no passado. Uma mulher que se envolve na luta política e termina presa por 15 anos. Passando por todo tipo de violência inimaginável, mas mesmo assim ela não se entrega e não se ajoelha a seus carrascos. Continua em pé. Sempre. 

Nawal canta na prisão para não enlouquecer e resistir a dor. Ela se torna conhecida como a mulher que canta da cela 72. Uma mulher que canta o seu desespero e melancolia para resistir à vida. 

You and Whose Army - Radiohead





Um comentário:

Pr. Bessa disse...

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