sábado, abril 02, 2011

Um presente absurdo de níver para mim mesma: A queda!

Ultimamente, meu irmão tem lido tanto Camus que me influenciou a buscar no autor algum entendimento a mais para minha vida medíocre. Na verdade,  sempre gostei de Camus, todavia não sou profunda conhecedora de sua obra, li apenas “o Estrangeiro”, “ A peste” e agora “ A queda”.  Inegavelmente, para mim, Camus é um existencialista, mesmo não se assumindo como tal. 


A QUEDA - ALBERT CAMUS 

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A queda para mim foi o livro do autor mais perturbador. #fato A obra é  narrada por Jean-Baptiste Clamance, advogado, decaído e bêbado, que conta sua história a uma pessoa misteriosa, pois não sabemos se ele trava um diálogo com outro indivíduo ou quiçá consigo – sendo um monologo existencialista-.  A história é narrada em buteco decadente, na cidade de Amsterdam, chamado Mexico-City, confesso que  senti vontade de frequentar o local e tive a sensação de que Clamance falava comigo. Talvez a estilística e a genialidade de Camus promova essa interação brilhante com o leitor. Eu cheguei a responder várias indagações do personagem principal. Nunca me senti tão dentro de um livro como neste. A obra é pequena – aproximadamente 100 páginas- leitura rápida, mas de uma grandiosidade literária dilacerante, contudo é capaz de te enlouquecer. Enxergar-se sempre é difícil. Começo a entender a fixação de Camus pela morte. 

Clamance considerava-se um homem bem sucedido ( profissionalmente, intelectualmente, com as mulheres e altruísta), mas descobre-se egoísta, uma farsa, medíocre, hedonista, irônico. Para mim ele representa  o eclipse em cada um de nós. Bem, o seu insight acontece numa noite fria em Paris, quando ele vê uma mulher preste a cometer o suicídio de uma ponte. Ela grita e ele a ignora não indo ajudá-la, simplesmente, porque estava frio e ele não queria se molhar. Neste momento ele percebe toda sua miséria humana. Analogamente, o gesto que Clamance não fez é o gesto que nunca fazemos por ninguém. #FicaaDica Dessa descoberta inicia-se sua queda... Contudo, acho que algumas quedas podem significar a salvação. #reflexao

O livro é um relato da existência humana, com grandes doses de ironia e inteligência. Viver é por si um absurdo! Viva Camus! A medida que tomamos a consciência do absurdo que é estar vivo, o aniversário se torna quase uma problemática existencial/filosófica, porque ele é sinal que a vida está caminhando para o fim. 

Nota: É  inegável a influência de Dostoiévski na obra de Camus. E toda a culpa do mundo. Amém! 

" Não é necessário existir Deus para criar a culpabilidade, nem para castigar. Para isso, bastam nossos semelhantes, ajudados por nós mesmos" Pág 76 Camus - A Queda

Nota 2: O que resta no níver de importante é a comida e o amor. 

“...Pelo menos, ao me ver lidar com os seres, eu não podia me enganar quanto à verdade da minha natureza. Nenhum homem é hipócrita nos seus prazeres...” Pág 46 – A queda Camus 

“ O cansaço que  corria meu corpo permitiu ao mesmo tempo a erosão de muitas partes essências de mim mesmo. Cada excesso diminui minha vitalidade e, portanto meu sofrimento” Pág 72

3 comentários:

Poeta Solitário disse...

quem é capaz de escrever como vc?
poeta solitário

Anônimo disse...

você é tudo de bom na vida daqueles que estão à sua volta.
gostaria de estar perto de ti.
bj

Rita disse...

Voce me estimulou a ler esta obra de Camus que não conheço. Li o Estrangeiro que apreciei imenso e a Peste, em minha opinião bastante inferior.
Obrigada