quinta-feira, outubro 21, 2010

Uma singela homenagem ao poeta q me transformou em poeta ( poetiza não, pois poeta não tem gênero)

No último dia 19, o poeta e diplomata Vinícius de Morais – poetinha – completaria 97 anos. Dói comemorar aniversário de quem a gente ama assim...dói mais saber q não tive a oportunidade de conhecê-lo, eita! Mas como não? Sou profunda conhecedora dele q até para escrever algo no dia do seu aniversário foi difícil e a gente só tem dificuldade de escrever qdo amamos verdadeiramente. Para dizer a verdade tentei escrever no dia, contudo não tive forças. Talvez porque o Vinicius sempre significou algo além das letras p mim...uma possibilidade de LIBERDADE/SER/AMAR.

A primeira vez que tive contato com o poeta eu estudava na escola estadual Antonio Augusto Neto – Marília/SP, era uma aula de língua portuguesa, a professora se chamava D. Anita – uma japonesa brava, mas que gostava muito da blogueira aqui, apesar de sempre reclamar para minha mãe que eu falava/bagunçava demais, no fundo eu sabia que sem eu a aula dela seria sem sentido. E não é convencimento, não. É porque eu era uma das alunas mais participativas e daquelas que chorava lendo textos. Eu sabia o q isso significava para ela. Bem, eu tinha 13 anos, estava na sétima série, era o inicio de muitas descobertas: amor, beijo, politica, ideologias, música e literatura. Lembro-me como se fosse hoje, o livro era aqueles que o governo dava e passava de aluno a aluno, ano a ano. O meu era todo cheio de orelhas, bem velhinho, rabiscado e sempre antes de uma lição nova de gramática tinha um texto para a gente ler e discutir e depois interpretar. Confesso: Era a parte que eu mais gostava. Vivia na ansiedade de terminar a lição e começar uma nova pela possibilidade de novos textos/descobertas.

A D. Anita adorava minha leitura e eu era sempre a escolhida para ler, talvez porque eu sempre gostei de postar minha voz e de ler com alma, e também era uma forma dela me manter calada(rs) e atenta à aula. A professora percebia meu interesse literário...e me incentivava...Numa manhã chuvosa, recordo-me que deveria ser por volta das 9h ( antes do recreio), ela me chamou na frente e pediu p eu ler o poema – Minha Namorada – Vinícius de Morais - para começarmos a aula e me disse baixinho, agora você vai descobrir a poesia, sorriu e me deu um beijo. Foi ai. Exatamente ai...que a poesia começou fazer sentido para mim, mesmo não fazendo sentido algum para maioria das pessoas. 


Fui para frente da mesa da professora. Adorava ficar na frente lendo. Adorava a atenção de todos em mim. Levei o meu livro cheio de orelhas/sujo/rasgado e bem naquele texto, o qual iria ler havia muitas marcas de caneta vermelha. Aquilo me chamou atenção e só pela marcação tive vontade de chorar, mas engoli a emoção. A leitura começou e me lembro como se fosse hoje que em cada linha pensava que o Vinícius escrevia/falava aquilo para mim e que eu era a namorada que ele buscava. Tive certeza ali que se ele tivesse me conhecido ele me amaria. E declamaria tanto amor para mim. Lembro-me que respondia em voz alta, lendo o poema. O que levou a turma a risada e a professora ás lágrimas. Foi algo mais ou menos assim: ( Daniela lendo a poesia e respondendo)

Se você quer ser minha namorada
Ai que linda namorada
Você poderia ser
Daniela: Eu quero/Eu quero. Silêncio.

Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ter
Daniela: Eu quero/ lembro q chorei.

Você tem que me fazer
Um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
Daniela: Eu serei. Eu juro.

E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
Daniela: Eu falo bem de mansinho. Devagar em rotação lenta só para você.

E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porque
Daniela: Eu semrpe choro sem saber o motivo. E sempre é contido.

E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Daniela: Em prantos. Eu quero/ Eu quero.

Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Daniela: Eu sou.

Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Daniela: eu vou/ não é triste não.

Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
Daniela: São só seus.

E você tem de ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois
Daniela: aos prantos( eu e a professora), abracei-a. A classe ficou muda. Parou de rir...Porque talvez, eles tenham entendido o infinito da poesia...E daí em diante o Vinícius de perpetuou na minha historia. 

TRILHA SONORA DO DIA - MINHA NAMORADA - http://www.youtube.com/watch?v=lAAxv8lQF6s&feature=related

3 comentários:

Anônimo disse...

Ow senhorita de cabelo vermelho q vive no meu imaginário, q vontade de ser o poeta q mora em seu imaginario.
Dani, vc é tão boa narradora q me senti como um aluno da sala de aula. Como se vc tivesse fotografando os momentos e eu vivendo junto. Vc escreve muito bem, dilminha. (rs)
saudade e eu amei seu cabelo vermelho. cada dia mais linda, essa mocinha. beijos do Júnior.
Dia 31/10 eu tb vou de dilma!(rs)

WiLL disse...

Danizinha, minha amada menina:
Não importa o que eles digam, ou o que eles pensam: eu te amo e pronto. Amo com razões: vc é linda, vc é inteligente, vc é poeta, vc é toda vermelha. Esse seu texto é tão lindo, mostra tanto d vc... desde sempre essa meiguice. Chorar na aula de português, recebendo risos de desdém, e no fim silenciar a turma, com tanta emoção. Quem mais seria capaz disso no mundo? Só vc, q eu saiba.
Pareceu estranho "amar com razões"? Entre a razão e o coração é o nome do filme que vi contigo no SESI. Adoro ver filmes com vc. Vimos juntos É proibido fumar. Foi lindo tb. Ou será sua cia q faz as coisas serem tão sublimes?
O choro da professora e o silêncio da turma já respondem isso...
te amo um tanto assim, ó!
bjokas

Anônimo disse...

Vinicius a une telle importance dans ta vie que je me dois de laisser un commentaire un peu plus poussé plus tard dans la journée.

Un admirateur masqué