domingo, junho 06, 2010

Por falar em saudade...

    Hoje eu quero falar da falta que você me faz. Da saudade. Eita! Palavrinha difícil, existente somente na nossa língua portuguesa. Mas, completamente compreensível em todos os idiomas. Ai linguistica que me mata...entender linguistica é saber um pouco mais da vida e de mim. Falar de saudade. Te contar da saudade é me mostrar sempre um pouco mais e mostrar minhas costas sedentas por serem arranhadas por ti. Quero saber se você cabe no meio das minhas pernas, quero emprestar meus olhos para você, para que você me veja te procurando em cada plateia, em cada aplauso em cada show. Quero que você perceba o quanto necessito de ti e o quanto tenho medo.

   Se quiser, desdurmo as noites de agora e abro a janela da sala e me escancaro nela, à procura do seu desejo deitado, sem sono também, no meu céu. Quero te contar da paixão que habita meu corpo, para que assim você me faça jurinhas de amor bobas, as quais sempre quis escutar. Quero saber do teu desejo. E mais da tua vida. 

   Ultimamente ando preocupada com minha beleza. E olha que nunca fui vaidosa. Tenho pensando tanto nisso que estou enlouquecendo. Com medo de você não me achar bonita de não gostar do meu corpo e consequentemente não me querer. Até comprei algumas roupas pra me fazer bonita, pra te fazer me achar mais bonita. Mas, é foda...Pois, no fundo eu sei que não é isso que me tornará mais bonita. Sei que é outra coisa, mas não sei o que. :( Na verdade todo o meu guarda-roupa te carrega dentro, os meus disfarces de tão sua, as gavetas cheias de canetas já acabadas e os restos de papel arrancados dos bilhetes que eram seus, seus, seus. Os bilhetes são só seus...Queria te escrever todos os dias. Queria te contar da saudade diária...sem complemento, mas talvez, você me acharia uma boba. Talvez, eu seja uma boba.


    Se você achar que importa mesmo saber o que é essa saudade, posso tirar das paredes do meu quarto todo o desejo que sinto por ti, para tentar explicá-la ou dimensiona-la.  Posso tentar tirar do amarelo da replica do Van Gogh, em minha parede toda a nostalgia e o impressionismo que  tu me causas. Queria te emprestar meu quadril, para saber como seria sua dança. Dou as minhas mãos à beira da aflição por saber-se tão perigosamente perto do telefone. Dou a minha memória telefônica e a minha gastrite  por nunca ter esquecido os seus números. 

   
    Dou toda minha paixão e devoção a você, mas você não compreende. Te dou minha confusão, meu caos, minha paixão sem medida. E te ofereço a minha loucura. Quero ver se me encaixo em ti. Quero todo o desencaixe que eu matei durante a vida refletindo em ti. Quero teu corpo. Quero te transformar em meu travesseiro e te molhar com meu choro noturno...O resto é só pra dizer que sinto saudade. 

TRILHA SONORA DO DIA -  EVERY BREATH YOU TAKE - THE POLICE
Comentário: O Sting deveria estar muitoooo, mais muito inspirado quando compôs esta canção. 

Nota linguistica: Gosto de usar o você- sentido de segunda pessoa - e o tu. Gosto da mistura e de uma certa subversão. :)

3 comentários:

alex disse...

Que lindo!
Vc escreve muito bem linda.
Vc tem um jeito todo especial de se expressar, adoro isso em você.
Adorei

Anônimo disse...

Senhorita Dani,

Que texto sensível! Saudade e Sting. Que combinação mais bombastica.
Adorei e concordo com o Alex vc tem um jeito muito singular para se expressar, o qual sempre nos deixa com a boca aberta.
Bom dia, girassol! Pintura impressionista do Van Gogh!
bjo do Júnior

Every breath you take
Every move you make
Every bond you break
Every step you take
I'll be watching you

Every single day
Every word you say
Every game you play
Every night you stay
I'll be watching you

Oh, can't you see
You belong to me
How my poor heart aches
With every step you take

WiLL disse...

Daniela:

Seu texto, como sempre, é repleto de poesia. Você exala poesia. Tire o papel em branco - ou a tela em branco - da sua frente, e você morrerá!
Nota do Tradutor (N.T.): Note que eu disse que seu texto "é" repleto de poesia, e não que ele "está" repleto de poesia. Isso quer dizer alguma coisa: que todos os seus textos são poéticos, não penas este.

bjokas