terça-feira, abril 27, 2010

Pausa para o amor: um pouco de erotismo...


Amor à flor da pele.
Daniela Bueno

Suspirou, virou-se e num ímpeto levantou-se para atender a porta. Era ele.
- Oi.
-Você demorou? Estava nervosa já, ansiosa. Achei que você não viria mais.
- O transito. Meu chefe. Tinha impressão que meu chefe iria me encher de trabalhos somente para me atrasar.
Ela corre para seus braços e diz:
Que bom que você está aqui. Ai seu cheiro... Suas mãos, tudo em você me desperta uma enorme volúpia.
-Me beija, menina!
-E se beijaram loucamente, intensamente, ardentemente. Um beijo que desvenda a alma.
Ela sorri e diz com um olhar de marota:
-Eu sonhei com você a noite passada?
O que você sonhou? Um sonho pornográfico?
Ela sorri, coloca as mãos sobre o rosto e diz:
- Claro! Com você todos os meus sonhos são pornográficos. Você é meu amor pornográfico.
Ele sorri desconcertado. Mas, ela logo interrompe o momento dele.
- Por que você não olha pra mim? Quer dizer, nos meus olhos?
-Porque me sinto em perigo. Porque você me desmonta e eu fico com vontade de correr para os seus braços e nunca mais sair...
Ela  contem o choro e corre para os seus braços e diz:
- Então agarra. Não tenha medo de mim. Você é um bobo.
Ele sorri. E diz:
- Você me deixa como um adolescente descobrindo o amor. Você me desconcerta. Para de me atormentar, menina!
Ela o olha ternamente  e diz:
- Você é tão lindo! Queria escrever um bilhetinho para você todos os dias.
-Você que é linda!
Ela o beija novamente. Um beijo doce e profundo.
- Quando eu beijo você é algo metafísico... Seu beijo faz meu sangue correr desesperadamente nas minhas veias, menina!
- Eu adoro beijar você. Mas acho que você beija pouco. Por quê?
-Talvez porque tenha beijado poucas pessoas na minha vida. E quase nenhuma do jeito que te beijo.
-Beijo tem que ser intenso. Acho que é uma forma de comunicação das almas. Por isso, quero beijo de alma... Quero desvendar você... E sempre ter alguma coisa a mais pra descobrir. Assim eu sou capaz de te amar para sempre...
Ele diz :
- Você é louca!
-Não fala assim...
- Mas eu gosto disso...
-Então me beija de novo.
Ele a beija ternamente.
- Eu estava com tanta saudade. Uma saudade enorme...
-Enorme mesmo? Indagou ele.
-Siimmm, maior que o infinito. E você?
- eu também.
-Então me possua.
- Ai, menina! Deixa eu te possuir então, porque eu quero estar no seu suor e nos seus poros.
A lua, a música, o vinho, a taça, a mulher, o homem, o sexo, o desejo e a paixão... Ele a despiu com delicadeza. Ela estava nua de corpo e alma. Na cama era um balé estranho de pernas, braços, corpos, uma confusão, uma fusão de tudo o que não se é mais...Não se sabia mais quem era quem...O corpo pedia e a alma gozava. A mistura dos amantes parecia mais intensa. Ele a fitou e a beijou loucamente. Agora não existiam mais eles. Era apenas um. O gosto dele estava nele e o dela nele. O sangue dela corria nas veias  daquele homem.
-Hum, o que você é capaz de fazer comigo, menina?
- Você ainda não viu nada; Ela levanta-se nua e sorri( aquele sorriso maroto).
- Ai, não sorri assim. Suplica o homem.
-Por quê?
-Porque assim não irei embora nunca mais. Aonde você vai?
- Vou mudar o cd. Você gosta de Bach?
-Gosto, mas não conheço quase música erudita.
- É lindo, voluptuoso. É santo. É imoral. É alegre. É triste. É apaixonante...
-Nossa! Quero ouvir.
-Sabe, acho que Bach compunha para você.
- Fico sem palavras diante de ti. E a abraça demoradamente e diz:
- Eu quero te amar mais e mais e mais, sem parar... Então vamos morrer de tanto amar...
Ela sorri cansada. E diz:
 - Sinto –me extenuada de desejo. O bastante para morrer.
Ele diz:
- Você se lembrará de mim para sempre. Destas tardes e noites, mesmo quando já tiver esquecido seu rosto, do seu nome...
- Vem em cima de mim, penetra-me novamente. Ficaram assim abraçados, gemendo entre o clamor da cidade lá fora.  Os beijos no corpo provocam lagrimas... Voltemos ao pequeno apartamento. Eram amantes. Não poderiam parar de amar.
Ela observava a forma com que ele  se servia de seu corpo, e jamais imaginou que isso fosse possível, estava alem das suas esperanças e ia ao encontro da sina do seu coração. Assim  transformou-se em sua mulher. Ele havia se tornado outra coisa pra ela também. Ela começava a sentir a doçura indescritível da sua pele, de seu sexo, muito alem dele mesmo.  Era  com ela que ele fazia amor todos os dias. E, às vezes, ele sentia medo, inquietava-se subitamente pela  saúde da moça, como se só então descobrisse que ela era mortal e lhe viesse a idéia de que pudesse perde-la. Ela lhe parecia tão frágil, tão doce e meiga e isso também lhe dava pavor,  às vezes, um medo brutal dela ser massacrada pela sociedade. E ele não poder protegê-la. Ela adormece encostada nele. Ela se vira de costas para ele. Até ele não agüentar mais e a possuir inteira. Desvendar todos os seus mistérios. Aquele momento parecia uma obra de arte.  Neste momento somente seus corpos se entendiam. Era assim. Eles se amavam e não poderiam nunca parar de amar. E recomeçaram... 

TRILHA SONORA DO DIA:  Serge Gainsbourg - Je T'aime... Moi Non Plus




3 comentários:

Anônimo disse...

Tá apaixonada, Daninha? Muito erótico seu texto. Gostei.
Conseguiu resolver o problema do pc? Instalou o ubuntu 10.04? E o debien?
Qualquer coisa chame.
Gostei do blog.
bjs,
Luciano

WiLL disse...

Dani, bom dia, meu anjo!
Você tem uma poesia apaixonante.
Você tem uma fixação pela loucura, pela morte e pelo erótico rsrs aborda isso de um modo tão sublime.
Parabéns!
Beijos

Luciana dos Santos disse...

Gostei.
Tá inspiradona né?
Manda bala.
Bjs.
Lu