O blog de uma balzaca que gosta de falar acerca de literatura, política, cinema, saúde, vida, filosofia, animais, culinária e da sua eterna luta contra a balança. Espelho, espelho meu, existe alguém mais atrapalhada, apaixonada, desastrada, compulsiva, gulosa, dedicada, teimosa, estudiosa, impulsiva, chorona, triste, pirada, ansiosa, alegre e dialética do que eu?
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terça-feira, fevereiro 21, 2012
quinta-feira, fevereiro 09, 2012
terça-feira, janeiro 24, 2012
domingo, janeiro 15, 2012
quinta-feira, dezembro 15, 2011
quinta-feira, dezembro 01, 2011
sexta-feira, novembro 18, 2011
sábado, outubro 08, 2011
segunda-feira, abril 25, 2011
domingo, abril 17, 2011
sexta-feira, abril 01, 2011
Hoje é realmente o dia da mentira – Há 47 anos tiravam nossa voz e a liberdade.
Completa 47 anos, hoje(01/04), o golpe de Estado(civil/militar) que derrubou o presidente eleito democraticamente - João Goulart (Jango), assim se instaurando o regime militar no Brasil, tudo abençoado/financiado pelos EUA e colocado em prática pela nossa elite/mídia/clero/militares, entre outros setores da direita do país.
Jango era um homem que possuía ideologias de esquerda; ele desejava reduzir as desigualdades sociais brasileiras e tornar realidade algumas reformas de base como a: agrária, eleitoral, universitária, entre outras. E foram essas convicções progressistas e libertárias que o jogaram da beira do abismo, pois estes ideais colocavam em risco os interesses americanos e os da nossa elite. Lembrando que o interesse maior dos EUA, nessa época, era conter o inimigo vermelho: comunismo. E o da nossa sempre e querida elite era de manter seus privilégios.
Hoje (01/04) é comemorado o dia da mentira, e não vejo data mais propicia que esta para se festejar o aniversário de 47 anos do Golpe Militar/Civil de 1964. Há fatos que só o “acaso” para nos explicar. #FicaaDica Depuseram Jango porque suas ideologias preocupavam os EUA e as elites do Brasil, a qual temia mudanças sociais e diminuição do seus poderes/privilégios ( isso me remete ao mensalão do governo Lula – desculpa da mídia/elites e do movimento cansei para tentar derrubar o presidente. O fato é que eles se esqueceram que há pessoas que não são tão alienadas ( não lêem somente Veja, FSP, O Globo e etc) e conhecem um pouco da história verdadeira do Brasil. FHC e o senador Azeredo poderiam bem explicar a prática do mensalão e como esse surgiu, não? ( criativos/hipócritas esses tucanos e depois pagam de bons moços. #nojo #boracanonizalos ). Ah! O senador Azeredo é o mesmo do AI-5 digital. Acho que muita coisa se explica ai, né? A denúncia do mensalão no governo Lula feita pela velha mídia – a mesma que ajudou no golpe de 64 , a mesma que nunca denunciou a prática no governo anterior e nem no Palácio dos Bandeirantes– porque havia outros interesses >>>>; $$$$$, além de manter os privilégios e tentar frear a inclusão social) Bem, voltando a queda de Jango, as coisas pioraram quando em um discurso belíssimo e comovente ele pregou a justiça social e o fortalecimento da economia interna: nacionalização das refinarias estrangeiras de petróleo. Nesse momento, a reação da elite/clero/mídia/militares/EUA/direita foi imediata e organizaram a famosa “ Marcha da Família com Deus pela Liberdade” ( a história é cíclica mesmo; revi essa mesma marcha patética na campanha do candidato à presidência José Serra do Bem – encabeçada pelo pastor Malafaia. Ressalto aqui também que a política entreguista aos ianques do PSDB seria a mesma dos militares. #analogias É a roda vida. Há interesses que nunca se tornam démodés. #fato E há sempre um conservador a nossa direita. Amém! )
Jango e Che Guevara
Devido a sua luta pela democracia estendida a tod@s, cortaram a cabeça do Jango ( alegoria...rs) e nos tiraram a voz, a liberdade e o livre arbítrio. O eixo do bem venceu, mas ainda há sufocada algumas questões que necessitam ser vomitadas: Democracias apóiam golpes? Hum? Compreendo porque eles escolheram o dia da mentira para aplicar o golpe de 64. >>>>> Os EUA são uma democracia e respeitam a soberania dos outros povos, só há intervenção militar para ajuda humanitária. RS #diadamentira
Nota para a grande mídia: Obrigada, Rede Globo, Folha de SP entre outros meios de comunicação por apoiarem a instaurar a ditadura no Brasil. E também por transformar os nossos heróis em bandidos/monstros. Quando não se conhece a verdade é fácil manipular toda uma nação. Obrigada pelo serviço de desinformação prestado a sociedade brasileira e por apoiar a tortura, assassinatos e a censura. Ainda bem que existe a lei da ação e reação, ou seja, muitos meios de comunicação que ajudaram no golpe, com o tempo sofreram perseguição. #bemfeito
Ps: Quem são os donos das maiores agências de noticias do mundo? Hummm? #reflexao
Nota pela justiça: Cadê a justiça aos desaparecidos/mortos/torturados na ditadura militar? Cadê o reconhecimento para os verdadeiros heróis da história do Brasil? PresidentA Dilma, Ministra Mária do Rosário queremos a comissão da verdade...arquivos da didatura abertos/desarquivados. #justica
TRILHA SONORA DO DIA - APESAR DE VOCÊ - CHICO BUARQUE
sexta-feira, março 04, 2011
Perseguido, por boas razões
Há gente que me pergunta como eu me sinto sendo vítima da truculência da direita brasileira. Na realidade, pelo que me lembro, esta é a terceira vez.
A primeira foi durante a ditadura. Buscado pela Oban (aquela para a qual a empresa dos Frias emprestou seus carros para disfarçar de jornalistas os agentes do terrorismo de Estado), casa invadida, mulher detida, biblioteca e álbum de todos destruído, foto nos jornais e nos cartazes da ditadura como buscado por terrorista, execrado pela imprensa. Eu estava na clandestinidade, fui condenado, à revelia, a 4 anos e meio de prisão, depois anistiado.
A segunda, no processo movido pelo Jorge Bornhausen, quando eu lhe respondi com artigo na Carta Maior àquela declaração de que ia “acabar com essa raça por 20 anos”. Ele me moveu processo por injúria, calúnia e difamação, teve o apoio, uma vez mais, do lado da empresa dos Frias, execrado pela imprensa. Foi desatado um amplíssimo movimento de solidariedade, com abaixo assinado encabeçado pelo Chico Buarque, pelo Veríssimo, pelo Antônio Candido, pelo Eduardo Galeano, que recolheu mais de 20 mil assinaturas.
Como espécie de revanchismo por terem perdido as eleições de 2006 – que não estava nas contas deles, nem na dos Frias -, o processo caiu na mãos de um juiz de Santa Catarina, que me condenou a um ano de prisão e perda do meu cargo de professor da Uerj. Como eu era réu primário, porque tinha sido anistiado da condenação anterior, não iria à prisão, mas teria que realizar trabalhos sociais em comunidades. O absurdo não era apenas que eu é que era condenado e não ele – o crime de discriminação é imprescritível, pela Constituição – como não havia o direito de me tirar o cargo de professor de universidade pública, conquistado por concurso. O recurso a meu favor foi aprovado por unanimidade e aí terminou aquele processo.
Agora há esta nova ofensiva da direita, de novo achando que podem me constranger, me calar, me isolar. De novo truculenta, de novo submetido à execração pela, agora, senil e velha mídia, mas a mesma da época da ditadura e do processo do Bornhausen. De novo a empresa dos Frias envolvida, mediante uma armadilha de usar em on o que era uma conversa em off, coisa típica desse jornalismo decadente e imoral. Saio também ileso, moral e politicamente, honrado com todos os apoios que recebo, assim como pela lista – esta sim, execrável, dos que atacam, do outro lado.
A sensação, nas três circunstâncias, é a de que me tornaram vítima “por boas razões”, como dizia o Brecht, porque estou do lado certo, no bom combate, que o que está em jogo não sou eu individualmente, mas causas justas que é preciso defender e a que tantos dedicam também suas vidas na defesa delas. Que a solidariedade imensa e emocionante que recebi nas três ocasiões se dirige às causas às quais dedico o melhor da minha energia e não a mim como pessoa.
Portanto, me sinto bem nessas circunstâncias em que a direita me toma como vítima privilegiada, como que honrado por esse privilégio de ser considerado alguém que os incomoda, que afeta os seus interesses e os seus valores conservadores. De todas elas saí mais forte, com mais apoio, com mais amigos e companheiros, mais convencido de que essas são causas justas – tanto assim, que a direita as combate sempre, com todas suas armas, desde as metralhadoras e os carros da Oban-Folha, até o monopólio, enfraquecido e senil, da imprensa -, que vale a pena jogar a vida por elas.
A primeira foi durante a ditadura. Buscado pela Oban (aquela para a qual a empresa dos Frias emprestou seus carros para disfarçar de jornalistas os agentes do terrorismo de Estado), casa invadida, mulher detida, biblioteca e álbum de todos destruído, foto nos jornais e nos cartazes da ditadura como buscado por terrorista, execrado pela imprensa. Eu estava na clandestinidade, fui condenado, à revelia, a 4 anos e meio de prisão, depois anistiado.
A segunda, no processo movido pelo Jorge Bornhausen, quando eu lhe respondi com artigo na Carta Maior àquela declaração de que ia “acabar com essa raça por 20 anos”. Ele me moveu processo por injúria, calúnia e difamação, teve o apoio, uma vez mais, do lado da empresa dos Frias, execrado pela imprensa. Foi desatado um amplíssimo movimento de solidariedade, com abaixo assinado encabeçado pelo Chico Buarque, pelo Veríssimo, pelo Antônio Candido, pelo Eduardo Galeano, que recolheu mais de 20 mil assinaturas.
Como espécie de revanchismo por terem perdido as eleições de 2006 – que não estava nas contas deles, nem na dos Frias -, o processo caiu na mãos de um juiz de Santa Catarina, que me condenou a um ano de prisão e perda do meu cargo de professor da Uerj. Como eu era réu primário, porque tinha sido anistiado da condenação anterior, não iria à prisão, mas teria que realizar trabalhos sociais em comunidades. O absurdo não era apenas que eu é que era condenado e não ele – o crime de discriminação é imprescritível, pela Constituição – como não havia o direito de me tirar o cargo de professor de universidade pública, conquistado por concurso. O recurso a meu favor foi aprovado por unanimidade e aí terminou aquele processo.
Agora há esta nova ofensiva da direita, de novo achando que podem me constranger, me calar, me isolar. De novo truculenta, de novo submetido à execração pela, agora, senil e velha mídia, mas a mesma da época da ditadura e do processo do Bornhausen. De novo a empresa dos Frias envolvida, mediante uma armadilha de usar em on o que era uma conversa em off, coisa típica desse jornalismo decadente e imoral. Saio também ileso, moral e politicamente, honrado com todos os apoios que recebo, assim como pela lista – esta sim, execrável, dos que atacam, do outro lado.
A sensação, nas três circunstâncias, é a de que me tornaram vítima “por boas razões”, como dizia o Brecht, porque estou do lado certo, no bom combate, que o que está em jogo não sou eu individualmente, mas causas justas que é preciso defender e a que tantos dedicam também suas vidas na defesa delas. Que a solidariedade imensa e emocionante que recebi nas três ocasiões se dirige às causas às quais dedico o melhor da minha energia e não a mim como pessoa.
Portanto, me sinto bem nessas circunstâncias em que a direita me toma como vítima privilegiada, como que honrado por esse privilégio de ser considerado alguém que os incomoda, que afeta os seus interesses e os seus valores conservadores. De todas elas saí mais forte, com mais apoio, com mais amigos e companheiros, mais convencido de que essas são causas justas – tanto assim, que a direita as combate sempre, com todas suas armas, desde as metralhadoras e os carros da Oban-Folha, até o monopólio, enfraquecido e senil, da imprensa -, que vale a pena jogar a vida por elas.
Prof. Emir Sader
sexta-feira, janeiro 28, 2011
segunda-feira, janeiro 03, 2011
Ousar lutar, ousar vencer! E muita coragem...
Gostei muito do texto "DILMA PRESIDENTE MACHISMO MACHUCADO" retirado do Polivocidade – um dos meus blogs preferidos - Indico a leitura( clique no link para ler o artigo).
Com a eleição de Dilma o machismo foi machucado sim, pois é para tod@s que ela governará como disse em seu belo discurso, mas principalmente, para as mulheres e minorias, até o governo Lula, excluídas neste país. Vejo na Dilma muita coragem e isso só aumenta minha admiração. Acredito que ela terá peito para implantar o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) e de fazer valer direitos civis para tod@s.
Lembrando que com Lula a população se sentiu , verdadeiramente, representada e percebeu que para fazer um bom governo não é preciso pertencer a uma “elite” ou estar no padrão socialmente aceito. E que bom que isso aconteceu...Há esperanças...
O trecho mais emocionante, o qual chorei horrores, do discurso da PresidentA ( questão de gênero faz a diferença sim! E para os que acreditam que a palavra não existe, estudar um pouco da língua portuguesa faz bem a saúde e diminui preconceitos...#ficaadica)
Dediquei toda a minha vida a causa do Brasil. Entreguei minha juventude ao sonho de um país justo e democrático. Suportei as adversidades mais extremas infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tampouco ressentimento ou rancor.
Muitos da minha geração, que tombaram pelo caminho, não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles esta conquista, e rendo-lhes minha homenagem.
Esta dura caminhada me fez valorizar e amar muito mais a vida e me deu sobretudo coragem para enfrentar desafios ainda maiores. Recorro mais uma vez ao poeta da minha terra:
"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem" Guimarães Rosa
É com esta coragem que vou governar o Brasil.
Mas mulher não é só coragem. É carinho também.
Muitos da minha geração, que tombaram pelo caminho, não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles esta conquista, e rendo-lhes minha homenagem.
Esta dura caminhada me fez valorizar e amar muito mais a vida e me deu sobretudo coragem para enfrentar desafios ainda maiores. Recorro mais uma vez ao poeta da minha terra:
"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem" Guimarães Rosa
É com esta coragem que vou governar o Brasil.
Mas mulher não é só coragem. É carinho também.
segunda-feira, dezembro 27, 2010
RETROSPECTIVA E HERANÇAS...
Segue abaixo, o brilhante o artigo de Emiliano José – Carta Maior -, o qual me emocionou em muitos parágrafos e me levou a uma reflexão acerca do preconceito velado que permeia nossa sociedade. Tão bem dito pelo autor: “...três séculos de escravidão não pode esperar que o espectro da Casa Grande tenha desaparecido...”
Faço uma retrospectiva da campanha sórdida contra Dilma, a qual foi contra a MULHER ( Emiliando disse bem que a campanha representou a RAIVA contra a mulher), principalmente pelas mulheres de coragem, guerreiras que lutam e que não necessitam estar ao LADO ou a SOMBRA de um macho para sobreviverem, mesmo em meio hostil.
O que mais me indignou foi assistir aos seus adversários, inclusive outra mulher, verbalizando discursos conservadores com o objetivo a qualquer custo de levar a eleição para o segundo turno: contra direitos civis/humanos, contra nordestinos, pobres, homossexuais, discursaram a favor da família/bons costumes (Viva a marcha da moral e da família de 64! Bandeira levantada pelo Sr. Serra. Valha o pastor Malafaia em seus programas de TV. E o seu jingle patético que dizia que Serra era do bem...), contra o aborto (sem se preocupar com a questão da saúde pública e ignorando que o fato acontece diariamente e isso não tem nada a ver com religião e sim com direito a vida/escolha/saúde. Pune-se a mulher, mas e o homem? Quem aborta primeiro? Quem abandona...? Portanto, por que só a mulher responde ao crime hediondo? Questão machista, não? Se é para criminalizar que respondam as duas pessoas que fizeram o filho.), abraçaram-se com as religiões, mas se esqueceram que o estado é LAICO e que a maioria (comprovado pela eleição) o quer assim... E evidenciando a cara de uma parcela da sociedade sexista e segregadora socialmente (é, porque agora tem que dividir espaços que antes era somente de uma elite. Fico tão feliz com isso! Confesso: Adoro ver tudo misturado: pessoas de todas as classes socias/etnias/orientação sexual repartindo os mesmos lugares e tendo acesso à cultura/educação/inclusão econômica e social.
Todos esses fatores motivaram-me a “dar o sangue” na campanha da Dilma. Lembro-me foram três meses sem vida social/pessoal, a rotina era “redes sociais”, respondendo emails preconceituosos/machistas/racistas, reuniões e a luta pelo voto. Votos que conquistei pela net, nas conversas de bares e indo nas casas das pessoas. É... Voltei à base para eleger Dilminha! E me orgulho tanto disso...:) Pois essa mulher é o retrato de tudo que eu quero ser: guerreira, corajosa, forte, justa, sincera, inteligente, sensível e DIGNA. É, agora, nós podemos!
SEGUE O TEXTO:
Heranças atávicas - Emiliano José
As mudanças não são fáceis de serem aceitas. E uma mulher na presidência da República no Brasil se, num primeiro momento, poderia parecer um acontecimento quase banal, era um fato novo, muito novo, inédito, e representava quase um novo marco civilizatório. Tão forte que provocou reações que muitos de nós não imaginávamos possível. A eleição do presidente operário em 2002 provocou uma avalanche de preconceitos da elite brasileira, que foram solenemente ignorados pelo nosso povo. Lula termina seu mandato com um recorde de aprovação: 83%.
Dilma foi um tsunami tão forte quanto Lula. E um tsunami que provocou a recuperação, parcial que seja, dos valores de uma sociedade patriarcal, misógina, homofóbica, autoritária e elitista. A parte da sociedade que assumiu esses valores de modo militante recusa conquistas já consagradas pelas sociedades democráticas avançadas. E o fez abraçando-se a religiões, pretendendo que o Estado brasileiro deixasse de ser laico, e se rendesse a princípios que contrariam os avanços da ciência e dos direitos à saúde, e atacando principalmente o direito das mulheres.
Tudo por causa de uma mulher. Tudo contra uma mulher. Tudo tendo um significado político, evidentemente. Mas um significado político que se entrelaça com revelações culturais profundas, a evidenciar que o ovo da serpente do pensamento conservador ultradireitista não desapareceu da cena brasileira. E seria ilusório, creio, imaginar que tivesse desaparecido. Não foi ocasional que a campanha adversária tenha ressuscitado e valorizado até a famosa Tradição, Família e Propriedade (TFP) para afirmar suas posições. Ou que igrejas tenham retornado a posições de 1964.
A raiva contra a mulher ficou manifesta na discussão desonesta sobre o aborto. Como se a questão fosse ser apenas contra ou a favor do aborto, e não a discussão sobre o direito à saúde das mulheres, a assistência às mulheres vítimas de abortos clandestinos, normalmente mulheres pobres. Estima-se que morrem mais de 500 mulheres por ano no Brasil devido aos abortos clandestinos.
E as que não morrem, seriam o caso de colocá-las todas na cadeia?
Impossível. Ora, ora, tudo próprio de uma sociedade hipócrita, farisaica, que não olha para sua própria face. O próprio Serra, como ministro da Saúde, tinha posição mais humana. Mas, na campanha, preferiu abraçar as teses do medievo trevoso, só abrandadas quando foi revelado o aborto feito por sua própria mulher, revelação feita por algumas alunas de Mônica Serra.
As teses contra os homossexuais só perderam força quando perceberam o impacto eleitoral negativo. Mas, como conseqüência disso, temos assistido cenas freqüentes e deploráveis de ataques a homossexuais. A raiva contra os nordestinos, que revisitava o arianismo, surgiu com vigor logo que se revelou a vitória de Dilma. Para que não nos enganemos, o pensamento foi expresso especialmente por uma parcela da nossa juventude.
Não creio que devamos tratar esses acontecimentos como secundários. Nem com raiva. Com indignação, sim, sem dúvida. Mas, também, com a compreensão de que há ainda uma longa marcha para a mudança de mentalidade de nossa sociedade. Quem viveu bem mais de três séculos sob a escravidão não pode esperar que o espectro da Casa Grande tenha desaparecido. Esse espectro, aqui e ali, ressurge, e muitas vezes, com força.
E especialmente quando uma mulher resolve confrontar toda essa cultura, ao se pôr como principal mandatária do País. É verdade que a maioria da sociedade brasileira optou pela continuidade de um projeto transformador. No entanto, a luta por uma nova sociedade, livre de preconceitos, de discriminações, de racismos, continua mais que atual. Feliz 2011.
quinta-feira, dezembro 09, 2010
O circo, os aplausos e muito sangue...
Adorei a entrevista de @CarlosLatuff para a Revista Carta Capital. Ele foi lúcido/coerente/humano em suas colocações e corajoso em sair em defesa dos excluídos, os quais não têm voz na mídia e na sociedade.
Para a classe média/alta que aplaude a barbárie no Rio e vibra com o circo midiático é difícil entender a luta de alguns segmentos da sociedade pelos direitos humanos e pelo direito dos moradores das comunidades à vida e ao respeito por serem humanos. A impressão que carrego no coração, ouvindo muitos discursos de colegas é que vida de moradores de favela não é importante para eles, e aquela retórica clichê que “Bandido bom é bandido morto” é usado para justificar tanto sangue. Lamentável! Qual a diferença de quem pensa assim e de um assassino? Não vejo distinção, pois ambos querem morte e violência. O bandido se assume como tal: é escancarado, o problema do cidadão de “bem” é que seu discurso é velado, sua intolerância é camuflada. Enfim... Ontem conversando com um amigo médico, acerca deste assunto, ele me disse que o problema todo é o preconceito social, “vejo isso no hospital em que trabalho. A diferença de tratamento dos pacientes é tão evidente que me envergonha a profissão, se o sujeito tem uma boa conta bancária o tratamento é vip, se for negro/pobre espera na fila e é atendido com descaso. Vida é vida. E eu luto por ela indiferentemente da classe social/etnia/profissão do cidadão.” Afirmou ele com convicção. Achei bonito o que ele disse e confesso emocionou-me em saber que ainda há médicos assim tão humanos e politizados.
Vale lembrar que nenhum veículo de comunicação “social” enfatizou a perda das vidas dos moradores. Quanto vale a vida? Eles só se importaram em mostrar a “Guerra”: o aparato bélico e os “heróis” subindo os murros. Muita coisa do que vi na TV, lembrou-me os filmes de ação de Hollywood, porém se esquecem que os inimigos, os traficantes do morro, em sua maioria são pobres, negros, e isso não é à toa, né? E que consequentemente há um inimigo invisível/inocente: mulheres, crianças, trabalhadores que também são moradores do local e que sofrem com a invasão policial. Agora ninguém coloca na linha de tiro os verdadeiros chefões do trafico: banqueiros, políticos, juízes entre outros. Por que será? Por que sempre quem paga com a vida é quem a sociedade marginaliza/exclui? Limpeza? Ou querem uma nova palestina?
Só para constar: Para o capitalismo o crime compensa. Inclusive para o Estado! #prontofalei
Questionamentos feitos para mim por colegas: Você ta defendendo vida de bandido. Bandido é assassino. E se fosse com você?
Minha resposta: Não é porque luto pela vida que defendo traficantes/bandidos. Acredito que todos devam responder por seus atos e serem devidamente punidos. O problema é que a questão do tráfico não será resolvida desta forma: violência. Todos sabemos...” Qualquer um com um mínimo de discernimento sabe muito bem que com tráfico não se acaba porque num regime capitalista negócio que dá lucro não se acaba. E o tráfico de drogas e de armas são os negócios mais rentáveis do planeta. Portanto, o argumento de que é uma ação para combater o tráfico de drogas é mentira.” Latuff
Indagando: Qual a classe social que mais consome drogas e consequentemente financia a violência?
Gostei tanto das palavras do Latuff que reproduzo sua entrevista neste blog.
“A filosofia da polícia do Rio de Janeiro é de matar o inimigo e não de prender o criminoso”
Vitor Taveira
Com lápis e língua afiados, o cartunista Latuff vai na contramão da maioria dos analistas e detona as ações militares nas favelas cariocas
Feroz crítico das operações militares nos morros do Rio de Janeiro, o carioca Carlos Latuff usa o desenho como uma ferramenta política. O cartunista divide seu tempo criativo entre o profissional e o militante. Sobrevive de trabalhos que faz para a imprensa sindical de esquerda. Porém, não deixa de apoiar diversas causas no Brasil e no mundo com charges publicadas gratuitamente na internet (ver em http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff). Seus desenhos sobre a violência policial e militar nas favelas de sua cidade vão direto à raiz do problema e questionam a visão da imprensa e da classe média sobre o problema. Com perdão do clichê: valem mais que mil palavras. Mas também vale a pena ouvir o que o Latuff tem a dizer. Por isso selecionamos algumas charges acrescidas de trechos da entrevista feita com Latuff:
“O efetivo policial militar que foi empregado para a última operação no Complexo do Alemão foi inédito, nunca se colocou tanto policial e tanto militar como dessa vez. Realmente foi um grande espetáculo, uma mega operação militar. Até porque os policiais – civis e militares – se assemelham muito e inclusive trabalham com a mesma filosofia de soldado de infantaria, que é diferente da do policial. A meta do policial é combater o crime, prender o criminoso e levá-lo ao julgamento. O principio da infantaria é acabar com o inimigo. É matar o inimigo. Então a filosofia da polícia aqui no Rio de Janeiro é de matar o inimigo e não de prender o criminoso.”
“Nessa busca desenfreada por audiência, havia cobertura de todas essas ações ao vivo através de equipes em terra e de helicópteros, tudo transmitido ao vivo num verdadeiro reality show sanguinário em que os moradores da favela foram postos na linha de tiro. A imprensa apóia integralmente as ações do governador Sérgio Cabral. Não existe contraponto, não existe critica. Tudo que apresentaram na televisão é apoio a essas operações. A imprensa não tem o menor interesse em esclarecer a população de que o que estamos vendo é uma pirotecnia, um show de fogos, em que quem tá levando fogo é o favelado. Porque quem aplaude esse tipo de ação é a classe média, que tá segura no seu apartamento.”
“O governador foi absolutamente oportunista, dizendo que agora é pra valer, que é o dia D, um golpe final contra o tráfico. Qualquer um com um mínimo de discernimento sabe muito bem que com tráfico não se acaba porque num regime capitalista negócio que dá lucro não se acaba. E o tráfico de drogas e de armas são os negócios mais rentáveis do planeta. Portanto, o argumento de que é uma ação para combater o tráfico de drogas é mentira. O que acontece é que esse projeto do governo chamado UPP, que são Unidades de Polícia Pacificadora, na verdade estão promovendo uma realocação do tráfico, estão promovendo ocupação de espaços do tráfico, mais precisamente do Comando Vermelho, que é uma das organizações criminosas que atuam em favelas.”
“Esse argumento de que a UPP vai resolver o problema é uma falácia, porque o principal argumento da UPP é a presença ostensiva da policia nas comunidades, só que desde os anos 80 há postos policiais dentro das favelas, mas tem bocas de fumo a 50 metros. Então a questão não é que a presença policial vai inibir o tráfico. O que existe é uma relação corrupta entre ambas. Enquanto existe corrupção tanto faz ter policial na favela, não faz a menor diferença. Se para colocar o mesmo policial corrupto que nós temos não vai fazer a menor diferença”.
“As UPPs me parecem uma reorganização, um upgrade na criminalidade. Essa ação que foi mostrada na TV nada tem a ver com acabar com o trafico de drogas, é uma ação de retaliação contra esse segmento [Comando Vermelho] do trafico de drogas. Está havendo uma mudança no tráfico de drogas aqui no Rio de Janeiro. Um fenômeno que tem acontecido aqui é o advento das milícias que são grupos criminosos formados por policiais, ex-policiais, militares, ex-militares, bombeiros, ou seja, elementos que pertencem ou pertenceram ao aparato de repressão do Estado. De acordo com o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), hoje as milícias ocupam mais favelas que o tráfico de drogas.”
“A favela sempre vai ser olhada com maus olhos pelo Estado. Porque a favela nos lembra que vivemos num sistema excludente, é a prova viva de que o sistema exclui. Da favela podem surgir levantes por indignação das pessoas de serem excluídas. Então a favela sempre terá de ser controlada pelo Estado. A classe média sempre vai desejar ações violentas contra a favela. Não há como acabar com as favelas, não há como absorver aquelas pessoas dentro do sistema capitalista, eles sabem muito bem disso. O que acontece é que as favelas são fonte de renda pra muitas ONGs, Igrejas, policiais inescrupulosos. Isso é um fato. A favela é um gueto, mas é um gueto que dá lucro pra muita gente, não só para o traficante ou o miliciano Quando o controle social não se dá através da polícia, se dá através da ONG, do pastor. Tudo pra manter o favelado sob controle e impedir que sua revolta se expresse, se exploda.”
“A favela é um território que precisa ser controlado. Mesmo que não haja traficantes ali, existem pobres, existem pessoas insatisfeitas com sua condição social. Se o sistema não tem como resolver, só resta a repressão, a contenção daquela população. Então a presença ostensiva dos policiais dentro daquela favela cumpre esse papel de reprimir e conter um segmento social que é excluído.”
“É muito lamentável que essa missão da ONU liderada pelo Brasil no Haiti, dita humanitária, tenha servido na verdade como um campo de provas das forças armadas aqui do Brasil. O que se verificou é que as favelas do Haiti, como Cité Soleil, tem servido de laboratório para treinamento de tropas para combate em área urbana. Isso não é mais segredo, já foi divulgado amplamente pela imprensa. Eu acho que se o Brasil realmente estivesse interessado em ajudar o Haiti ele não teria mandado tropas, e sim mandado médicos, bombeiros, técnicos para reconstruir o país.”
sexta-feira, outubro 22, 2010
A gente quer viver uma nação e ser um CIDADÃO!
Estou emocionada com o a leitura do texto abaixo. Emociono-me porque também sou filha da periferia, estudei em escola pública, brinquei na rua, comi bolinho de barro/terra, escorreguei em esgoto, e também vivi na pele alguns preconceitos sociais – como ser chamada de menina de vila/como ser considerada “não inteligente” porque acredito na justiça social e porque não vendo minha consciência – Coisas que a maioria das pessoas não compreendem...Mas eu sim! E lendo o texto do Pedro percebo cada dia mais que meu voto é o certo, pois é o VOTO para libertação do meu país de uma elite descomprometida com a maioria da população. Votar em Dilma hoje é lutar pela continuação do ProUni e de muitos projetos de inclusão social/cultural/econcomica, que num governo como o do PSDB jamais aconteceria. Lula é humano sim, Lula é mais... pois vivenciou na pele o que a maioria de nós vivemos e só um CARA como ele para valorizar com tamanha emoção um diploma de um curso superior.
“É, a gente quer viver pleno direito
A gente quer é ter todo respeito
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão”
Meu encontro com Lula
Parece que foi ontem. Mas já faz seis anos que vi o Lula de pertinho, e até troquei rápidas palavras com o presidente eleito.
Naquela época, eu tinha uma visão um pouco mais neutra sobre política, e na verdade não me interessava muito pelo assunto. Até que...Até que um dia, eu me deparei com uma situação em que todo mundo já deve ter passado. Se não passou, passará, garanto. Estava em meu terceiro colegial e não sabia o que iria fazer. Não tinha condições de pagar uma faculdade e estudei minha vida toda em escola estadual. Ou seja, passei de ano sem saber a matéria, sem o conteúdo.
Veio então a avó de uma amiga me falar sobre o ProUni - . Ela era educadora da Educafro, um cursinho gratuito para negros de baixa renda. Inscrevi-me e fui um dos 80 selecionados da primeira fase.
Depois disso, veio um email – que guardo até hoje – que eu fui convidado para sentar a mesa dos alunos beneficiados com o prouni, com a presença do presidente da república Luis Inácio Lula da Silva. O local era na Barra Funda. Não sei porque, mas resolvi ir.
Lá chegando, fui colocado na sétima fileira. Entre um monte de blábláblá, fiquei mais esperto pra ver se conhecia alguma mulher lá. Tinha um monte de minazinha bacana, mas isso é outra história.
O Lula chegou, falou por 45 minutos e desceu para falar com os alunos. Não queria ir falar com ele, mas quando ele estava indo embora, a porta de saída do presidente era, justamente, onde me encontrava. Aquela multidão vindo em minha direção, resolvi ficar parado. Quando ele chegou perto resolvi falar algo para ele.
“Lula. Não votei em ti, não gosto do PT, mas obrigado pelo prouni, se não fosse isso, não faria faculdade. Vou até pensar em votar em você um dia”.
Eis que o presidente Lula me responde como se fosse um soco no queixo, daqueles de deslocar o maxilar:
“Não quero seu voto. Quero apenas que você tenha um futuro digno”.
Deu-me a mão, apertamos e ele foi embora. Minha cara de besta foi incomparável. O que eu tirei desse encontro?
Senti que quem estava ali na minha frente não era apenas o presidente da república. Era um ser humano preocupado com outro ser humano. “Mais ele fez isso pra fazer média”, muitos me falaram. Mas se fosse fazer média, ele diria “obrigado, que bom que votará em mim da próxima vez”, não acham?
Vi que um presidente precisa se preocupar com todos, não com um voto. Vi que governar é favorecer os menos favorecidos. Hoje, por conta de um programa dele, sou formado. Por conta de um programa dele, tenho meu diploma e posso falar de boca cheia. Tenho orgulho de ter um presidente que saiu do nada e investiu na melhoria de sua população!
Nota – Aos que lêem esse texto. Não sou PTista. Não acredito que um único partido seja capaz de mudar para melhor uma nação. A união faz, alem de café e açúcar, a grande força!
Pedro Ferraz
terça-feira, outubro 05, 2010
Os números não mentem
O segundo turno das eleições 2010, é uma grande oportunidade para todos brasileiros decidirem o futuro e PELA PRIMEIRA VEZ da pra comparar o que os TUCANOS e os PETISTAS fizeram. Afinal, os dois tiveram a mesma chance...
8 anos de governo FHC com o SERRA e estamos completando 8 anos de governo LULA com a DILMA.
Normalmente as palavras se perdem ao vento... os políticos podem falar o que quiserem... A Dilma vai falar, o Serra vai falar mas o melhor mesmo é usar os números, que mostram as comparações fiéis.
Como ninguém governa sozinho e cada partido tem uma ideologia, agora podemos comparar e decidir. PT ou PSDB?
Principais Ministros:
FHC: José Serra (Ministro da Saúde e Ministro do Planejamento)
LULA: Dilma Rousseff(Ministra de Minas e Energia e Ministra Chefe da Casa Civil)
Juros Nominais (Taxa Selic):
FHC: 25% ao ano (2002)
LULA: 8,75% ao ano (2008)
Inflação (IPCA):
FHC: 12,5% (2002)
LULA: 4,3% (2009)
Transações Correntes:
FHC: Déficit de US$ 186,5 Bilhões (1995-2002)
LULA: Superávit de US$ 44 Bilhões (2003-2007)
Exportações:
FHC: US$ 60 Bilhões (2002; crescimento de 39% em 8 anos)
LULA: US$ 153 Bilhões (2009; crescimento de 155% em 7 anos)
Crescimento Econômico:
FHC: 2,3% ao ano (1995-2002)
LULA: 5,3% ao ano (2004-2008)
Empregos Formais:
FHC: 1.700.000 (1995-2002)
LULA: 9.700.000 (2003-2009)
Balança Comercial:
FHC: Déficit de US$ 8,7 Bilhões (1995-2002)
LULA: Superávit de US$ 237 Bilhões (2003-2009)
Taxa de Desemprego:
FHC: 10,5% (Dezembro de 2002)
LULA: 6,8% (Dezembro de 2009)
Risco-País:
FHC: 1550 pontos (Dezembro de 2002)
LULA: 220 pontos (Janeiro de 2010)
Reservas Internacionais Líquidas:
FHC: US$ 16 Bilhões (Dezembro de 2002)
LULA: US$ 241 Bilhões (Janeiro de 2010)
Relação Dívida/PIB:
FHC: 51,3% do PIB (Dezembro de 2002)
LULA: 43% do PIB (Novembro de 2009)
Déficit Público Nominal (inclui despesas com juros):
FHC: 4% do PIB (2002)
LULA: 2% do PIB (2008)
Dívida Externa:
FHC: US$ 210 Bilhões (Dezembro de 2002) – 45% do PIB
LULA: US$ 0
Inflação Acumulada (IPCA):
FHC: 100,6% (1995-2002)
LULA: 45% (2003-2009)
Pronaf:
FHC: R$ 2,5 Bilhões (2002)
LULA: R$ 15 Bilhões (2010)
ProUni:
FHC: Não existia
LULA: 470 mil estudantes beneficiados
PIB (em US$):
FHC: US$ 459 Bilhões (2002)
LULA: US$ 1,8 Trilhão (2009)
Produção de automóveis:
FHC: 1.791.000 (2002)
LULA: 3.130.000 (2009; crescimento de 74,8%)
Produção de máquinas agrícolas:
FHC: 52000 (2002)
LULA: 65000 (2007; crescimento de 25%)
Vendas de automóveis zero KM:
FHC: 1.465.000 (2002)
LULA: 3.140.000 (2009; crescimento de 114%)
Renda Per Capita:
FHC: US$ 2859 (2002)
LULA: US$ 9.300 (2009)
Coeficiente de Gini (Indica a Distribuição da Renda do Trabalho; quando mais próximo de 0 menor é a concentração da renda):
FHC: redução de 0,602 (1993) para 0,593 (2002)
LULA: redução de 0,593 (2002) para 0,544 (2008)
Indice de Pobreza:
FHC: 38,6% (1995); 38,2% (2002) – queda de 0,6%
LULA: 38,2% (2002); 25,3 (2008) – queda de 12,9%
Gastos Sociais Públicos (% do PIB):
FHC: 19,2% (1995)
LULA: 21,9 (2005)
Pobreza Extrema:
FHC: De 17,3% (1995) caiu para 16,5% - queda de 0,8% (2002)
LULA: De 16,5% em 2002 caiu para 8,8% - queda de 7,7% (2008)
Renda per capita mensal dos 10% mais pobres:
FHC: 2001 – R$ 34
LULA: 2008 – R$ 58 (crescimento de 70,6%)
Renda per capita mensal dos 10% mais ricos:
FHC: 2001 – R$ 2316
LULA: 2008 – R$ 2566 (crescimento 10,8%)
Gasto público:
FHC: 477,8 bilhões de reais entre 2001/2002
LULA: 468,7 bilhões de reais nos dois primeiros anos
Salário mínimo:
FHC: R$ 100,00 quando assumiu o governo e depois exatos quatro anos, o valor real foi reduzido para R$ 98,83, pois a inflação foi maior do que o reajuste salarial
LULA: R$ 510,00, o salário mínimo teve o maior aumento real dos últimos 40 anos, na casa dos 25,8% (já desconsiderando a inflação do período)
Pesquisas:
FHC: Termina o mandato com 30% de aprovação no país;
LULA: Termina o mandato com 80% de aprovação no país;
CNI/IBOPE mostra que 61 % da população consideram o Governo LULA e DILMA melhor que o Governo FHC e SERRA.
Fontes: Banco Central, IBGE, IPEA, jornais FSP e O Globo sexta-feira, agosto 20, 2010
O Poetinha, Vinícius de Morais, recebe homenagem do Presidente Lula.

Esta semana, o presidente Lula promoveu o diplomata, poeta e compositor Vinícius de Morais( poetinha) ao cargo de ministro de primeira classe( embaixador) e para todos os amantes do poeta esta foi uma reparação histórica e obrigatória, afinal o poetinha foi cassado do cargo pelo AI-5 durante a ditadura militar(1968), e embora tenho sido destituído de sua função, Vinícius percorreu o mundo exalando amor e poesia e vivendo sua vida de forma intensa e verdadeira.
Em 1979, o então presidente do sindicato dos Metalúrgicos do ABC Luiz Inácio Lula da Silva convidou o poeta Vinícius de Morais para declamar o poema “ Operário em Construção” de sua autoria para uma multidão de trabalhadores que festejam o Dia do Trabalhador. Essa cena simbólica e sensível pode ser vista no filme ABC da Greve, de Leon Hirszman. E confesso, choro cada vez que a revejo a cena. Ouvir o poetinha declamar para milhões de trabalhadores um poema que fala de esperança de um mundo melhor, das lutas pelos direitos trabalhistas e humano e que , às vezes, é preciso dizer não para se ter dignidade, deixa o coração inflado e sensibilizado diante da poesia oferecida aos trabalhadores como comunhão. Vinícius compartilhava a dor do mundo com maestria, mas também sabia mostrar e e levar alegria, sempre acreditando na possibilidade de um mundo mais justo.
Trinta e um anos depois, o presidente Lula homenageia o poeta, compositor, jornalista e diplomata brasileiro Vinícius de Moraes, em cerimônia no Palácio Itamaraty com a promoção ao cargo de Ministro de Primeira Classe da Carreira de Diplomata (embaixador) e o mais bonito foi ver Lula declamando, de forma emocionada, o mesmo poema, o qual o poetinha tinha declamado em 1979 para milhares de trabalhadores. Antes da leitura do texto, Lula disse que os homens que cassaram o poetinha provavelmente não tenham lido seu poema “Operário em Construção” Essa promoção homenageia todos os amantes da poesia e do homem Vinícius de Morais. Oxalá! Saravá! Dani
Trilha sonora do dia - Samba para Vinícius - Chico Buarque Em 1979, o então presidente do sindicato dos Metalúrgicos do ABC Luiz Inácio Lula da Silva convidou o poeta Vinícius de Morais para declamar o poema “ Operário em Construção” de sua autoria para uma multidão de trabalhadores que festejam o Dia do Trabalhador. Essa cena simbólica e sensível pode ser vista no filme ABC da Greve, de Leon Hirszman. E confesso, choro cada vez que a revejo a cena. Ouvir o poetinha declamar para milhões de trabalhadores um poema que fala de esperança de um mundo melhor, das lutas pelos direitos trabalhistas e humano e que , às vezes, é preciso dizer não para se ter dignidade, deixa o coração inflado e sensibilizado diante da poesia oferecida aos trabalhadores como comunhão. Vinícius compartilhava a dor do mundo com maestria, mas também sabia mostrar e e levar alegria, sempre acreditando na possibilidade de um mundo mais justo.
Trinta e um anos depois, o presidente Lula homenageia o poeta, compositor, jornalista e diplomata brasileiro Vinícius de Moraes, em cerimônia no Palácio Itamaraty com a promoção ao cargo de Ministro de Primeira Classe da Carreira de Diplomata (embaixador) e o mais bonito foi ver Lula declamando, de forma emocionada, o mesmo poema, o qual o poetinha tinha declamado em 1979 para milhares de trabalhadores. Antes da leitura do texto, Lula disse que os homens que cassaram o poetinha provavelmente não tenham lido seu poema “Operário em Construção” Essa promoção homenageia todos os amantes da poesia e do homem Vinícius de Morais. Oxalá! Saravá! Dani
Trechos do poema:
Operário em Construção
Vinícius de Morais
Era ele que erguia casas
Onde antes so' havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as asas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Nao sabia por exemplo
Que a casa de um homem e' um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa quer ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato como podia
Um operário em construção
Compreender porque um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pa', cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com sour e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Um operario em construção.
Olhou em torno: a gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martirios
Um silêncio de prisão.
Um siêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silencio apavorado
Com o medo em solidão
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arratarem no chão
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão
Uma esperanca sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razao porem que fizera
Em operário construido
O operário em construção
domingo, agosto 08, 2010
Dia dos pais
O fato é que não sou boa para falar de datas. E quando penso nelas só me lembro da palavra AMOR. E neste momento só consigo me remeter a uma carta cheia de ternura/amor que Che escreveu aos pais. Fica aqui minha homenagem aos pais:
Carta de despedida de Che para seus pais.
Carta de despedida de Che para seus pais.
Queridos viejos:
Uma vez mais sinto sob os calcanhares as costelas de Rocinante. Retorno para a estrada com o escudo no braço .Nada de especial mudou, exceto que estou mais cônscio, meu marxismo está mais arraigado e mais cristalizado. Creio na luta armada como única solução para os povos que lutam para se libertarem e sou coerente com minhas crenças. Muitos me chamarão de aventureiro, e o sou, mas de um tipo diferente, sou daqueles que colocam a vida em jogo para demonstrar as suas verdades.
É possivel que esta seja definitiva. Não estou buscando por ela, mas está dentro dos cálculos lógicos das probabilidades .Se tiver que ser, então este é o meu último abraço.
Amei-os muito, só que não soube mostrar o meu amor. Sou extremamente rígido em meus atos e creio que houve ocasiões em que vocês não me entenderam. Pôr outro lado, não era fácil enterder-me (...).Agora, a força de vontade que aprimorei com o deleite de um artista levará para diante minhas pernas fracas e meus pulmões cansados .Vou conseguir
Lembrem-se de vez em quando deste pequeno condottiere do século XX (...).Para vocês, um abraço grande e apertado de um recalcitrante filho pródigo.
Ernesto
Trilha sonora do dia - Che Guevara
Uma vez mais sinto sob os calcanhares as costelas de Rocinante. Retorno para a estrada com o escudo no braço .Nada de especial mudou, exceto que estou mais cônscio, meu marxismo está mais arraigado e mais cristalizado. Creio na luta armada como única solução para os povos que lutam para se libertarem e sou coerente com minhas crenças. Muitos me chamarão de aventureiro, e o sou, mas de um tipo diferente, sou daqueles que colocam a vida em jogo para demonstrar as suas verdades.
É possivel que esta seja definitiva. Não estou buscando por ela, mas está dentro dos cálculos lógicos das probabilidades .Se tiver que ser, então este é o meu último abraço.
Amei-os muito, só que não soube mostrar o meu amor. Sou extremamente rígido em meus atos e creio que houve ocasiões em que vocês não me entenderam. Pôr outro lado, não era fácil enterder-me (...).Agora, a força de vontade que aprimorei com o deleite de um artista levará para diante minhas pernas fracas e meus pulmões cansados .Vou conseguir
Lembrem-se de vez em quando deste pequeno condottiere do século XX (...).Para vocês, um abraço grande e apertado de um recalcitrante filho pródigo.
Ernesto
Trilha sonora do dia - Che Guevara
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